sábado, dezembro 20, 2014

Brazilian surf dream


Dia 19 de dezembro de 2014. Dia histórico para o Brasil.

Gabriel Medina, com 20 anos, conquistou de forma fantástica o título. Entretanto, não foi o primeiro campeão mundial brasileiro no surfe. Assim como em vários outros esportes, o surfe é dividido em diversas categorias (que bom!), e os brasileiros já beliscaram o troféu em quase todas elas. Seja deitado em cima de uma prancha, como Guilherme Tâmega, que ganhou o mundo 6 (seis) vezes e se manteve no topo do bodyboard por muitos anos. Seja em cima de uma prancha 'grande', como fez Phil Rajzman em 2007, ou surfando ondas gigantes, como fez Carlos Burle em 1998. Já tínhamos sido, inclusive, algumas vezes campeões mundiais pró-juniores, com Fabinho Gouveia em 1988, Adriano de Souza (minerinho) em 2003 e Pablo Paulino (bi) em 2004 e 2007. Na divisão de acesso (WQS) o Brasil também já havia ganho títulos mundiais com Teco Padaratz em 1992 e 99, seu irmão Neco em 2003 e 2004, Vítor Ribas em 1997, Fabinho em 98, Armando Daltro em 2000, Minerinho em 2005 e Felipe Toledo esse ano (2014). Um cenário que ainda não fincamos a bandeira no lugar mais alto é o feminino, porém as chances são enormes na próxima temporada (2015), já que a arretada cearense Silvana Lima estará no circuito novamente.

O dia foi histórico pelo título em si, porque o circuito profissional do WCT no surfe pode-se equiparar com a Fórmula 1 no automobilismo, como categoria com mais visão na mídia, prêmio maiores, etc. E a melhor colocação do Brasil, até então, tinha sido do cabofriense Vítor Ribas, com o 3º lugar em 1999. Mas na verdade, considero esse dia histórico também por representar uma quebra de barreiras. Ver pessoas conservadoras aplaudindo um surfista campeão mundial, significando que jogou fora aquele velho preconceito contra o 'drogado vagabundo' que não tem o que fazer (surfista), por isso consegue surfar. Ver, mesmo que fruto da abordagem sanguessuga da grande mídia, pessoas assistindo e comentando imagens de campeonato de surfe, seja nas rodas de conversas ou na grande rede mesmo.

Como tenho falado já há algum tempo, acho que a população está se dando conta que podemos falar que o Brasil é o país do Surfe, isso mesmo com -e no final, pra ficar bem brasileiro !

terça-feira, dezembro 16, 2014

Ô Xente !

Alvo de comentários xenofóbicos, após a reeleição de Dilma pra Presidência, o Nordeste, para nós brasileiros, principalmente os moradores da zona costeira sudeste/nordeste, tem enorme importância. Não falo apenas da região político administrativa da nossa república, que além de ser parte da minha ascendência, sempre mostrou brilhantes artistas e escritores que fizeram e fazem parte da essência da cultura brasileira.
Falo aqui, predominantemente, do vento.
Por conta da atuação do sistema semiestacionário Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), sistema de alta pressão atmosférica, que na sua borda oeste nos manda o intenso e constante vento resultante do quadrante NE/E, a região pode ser considerada o semiárido fluminense. Essa classificação se ampara, principalmente, no baixíssimo índice pluviométrico da região, impulsionado também pela presença da Laguna de Araruama, maior laguna hiper salina do mundo.
Esse mesmo vento intenso e bem frequente, aliado à posição geográfica e a situação de cabo (frio) da região, ocasiona um fenômeno oceanográfico quase que exclusivo - acontece também menos frequente e menos intenso no Farol de Santa Marta/SC - que faz de Arraial do Cabo a capital do mergulho, com uma das maiores biodiversidades do país. Por conta de um fenômeno físico, chamado de transporte de Ekman, o vento nordeste empurra a água superficial (foto)
mais quente (corrente do Brasil) pra fora da costa, permitindo a RESSURGÊNCIA de uma massa d'água do fundo, fria (abaixo de 18°C) e rica em nutrientes, uma vez que nenhum organismo a utilizou na fotossíntese, já que se encontrava na zona afótica.
O nordeste (vento) faz parte de Cabo Frio. A cidade é estranha sem ele. O calor se destaca e os mosquitos logo fazem a festa. Entretanto, em 4 anos, não me lembro de uma semana inteira (7 dias) sem ele.

sexta-feira, setembro 26, 2014

Caboclo Bernardo

cartaz nas ruas de Regência, ES
O post de reabertura desse espaço, terá como protagonista um brasileiro, típico homem do mar, morto em 1914, porém reverenciado nas ruas até os dias de hoje (foto ao lado). Bernardo José dos Santos, vulgo, Caboclo Bernardo
Nascido em 1859, na Vila de Regência Augusta, ES, sempre levou sua vida atrelada à pesca e ao mar. 
No entanto, na madrugada do dia 7 de setembro de 1887, uma noite tempestuosa e de mar revolto, o Cruzador Imperial Marinheiro (foto), que estava em campanha, rumo à Abrolhos, chocou-se com o pontal sul da barra do Rio Doce (foto).
Pontal sul da barra do Rio Doce.
Doze tripulantes desceram num bote pra tentar conseguir ajuda, porém apenas oito chegaram até a praia. A população mobilizou-se pra auxiliar, porém pouco pode ser feito, devido às adversas condições do mar. Ao amanhecer do dia seguinte, Bernardo resolveu utilizar seu preparo físico e conhecimento do local pra levar, a nado, um cabo espia pra auxiliar no resgate do restante da tripulação.


Cruzador Imperial Marinheiro
Nessa atitude, considerada por muitos como insana, o caboclo foi 'cuspido' por Netuno 4 vezes, mas na 5ª tentativa, conseguiu 'varar' a violenta arrebentação e o cabo foi amarrado ao navio.
Bernardo, ao lado de três marinheiros do navio de guerra, participou de todo o processo do resgate, acompanhando os náufragos até a praia num pequeno bote amarrado ao cabo. Graças aos esforços de todos, após cinco horas de luta, salvaram-se 128, dos 142 tripulantes do Imperial Marinheiro.
Depois disso, o 'herói' recebeu diversas homenagens públicas por parte da Marinha de Guerra, recebendo até uma medalha e um diploma da Princesa Isabel. Passadas as condecorações no Rio de Janeiro, Bernardo voltou à sua pacata rotina de pescador e chegou a participar ainda, de outros resgates de outro navios, mas nada que se assemelhasse ao Imperial.
No dia 03 de junho de 1914, Caboclo Bernardo foi covardemente assassinado com um tiro de garrucha à queima roupa, na porta de sua casa.
Antes disso, já tinha, praticamente, caído no esquecimento, entretanto sua morte trágica acabou resgatando sua imagem heroica. Particularmente, graças ao esforço do historiógrafo capixaba Norbertino Bahiense, o nome do herói passou a ser integrado à paisagem urbana de Vitória, batizando logradouros e tendo bustos figurativos erguidos em sua homenagem.
A figura do Caboclo Bernardo tornou-se maior que a história e acabou por se integrar às lendas e à cultura da Barra do Rio Doce. Desde 1930, em Regência é apresentado um "Auto do Caboclo Bernardo", onde a vida, o ato heroico e a morte estúpida de Bernardo são encenados.
Na primeira semana de junho, todos os anos, acontece no distrito de Regência a "Festa de Caboclo Bernardo". Durante as festividades, a foto do Caboclo Bernardo é exposta num altar, juntamente com as imagens de São Benedito e Nossa Senhora Aparecida, transformando-o numa figura quase que sagrada.
Point 2, Regência, Linhares, ES.
  Aí eu me pergunto: será que Bernardo surfava? porque onde ele viveu quebram aaaaaltas ! kkk





quinta-feira, agosto 11, 2011

Canal do antigo mangue

Retomo os trabalhos desse espaço, para fazer uma sugestão às autoridades. Sugiro que retirem a palavra mangue do canal que rasga de uma ponta a outra o coração da cidade maravilhosa, uma vez que nunca consegui identificar nele, sequer vestígios de vegetação desse farto ecossistema, outrora denominado Saco de São Diogo. Como podemos facilmente identificar, o que restou foi apenas um 'valão' canalizado que carrega, entre os mais variados detritos (defuntos, sofás, etc), esgoto a céu aberto.
Foto tirada em 2010 (Jornal O Dia)
A canalização de 1176m do que restou do Estuário de São Diogo, obra encomendada pelo imperador ao Barão de Mauá, iniciada em 1857 e inaugurada em 1860, representou, segundo os lusitanos, a maior obra de saneamento da época. Afinal de contas, ora pois pois, na opinião deles, seria necessário dessecar as áreas alagadiças que ocupavam naturalmente grandes extensões daquela região - alguém ainda duvida do aspecto natural das atuais e frequentes enchentes na Praça da Bandeira? – e significavam, também segundo os portugas, apenas focos de doenças, mosquitos e exalações desagradáveis. A partir dessa premissa, foi escavado o canal pra despejar toda aquela água na, ainda exuberante, Baia de Guanabara.

 
Segundo pesquisadores que estudam a região, o Saco de São Diogo consistia em um extenso braço de mar, bastante largo em sua embocadura, estreitando-se progressivamente ao seu interior. Recebia a contribuição de diversos rios, entre eles o Iguassú (atual Rio Comprido), o Maracanã e o Catumbi. Os extensos manguezais, denominados pelos nossos queridos colonizadores de Pântano de São Diogo, possuíam uma extensão de 8 Km2, atingindo à direita o atual Campo de Santana - um antigo terraço de areias marinhas, elevado em relação aos mangues – e à esquerda a atual Praça da Bandeira, seguindo como alagadiço até a Tijuca, que aliás tem esse nome oriundo da palavra tejuco (brejo em tupi). Ancorada ao Morro de São Diogo, de um lado da boca do estuário e região da atual (futura ex) Rodoviária Novo Rio, existia uma praia arenosa chamada Praia Formosa, enquanto na outra margem existia a Praia de São Cristovão, ocupando a região onde hoje funciona o Cemitério do Caju.
Há pouco menos de 2 meses, foi publicada uma matéria em um jornal carioca, noticiando que os tempos de abandono da região estavam com os dias contados, pois já foi escolhido um projeto para a revitalização da área da Leopoldina, visando as olímpiadas de 2016 . Dentre os benefícios que serão deixados como o grande legado dos Jogos, segundo o nosso idolatrado prefeito, estão um hotel cinco estrelas de 45 andares, 500 quartos e 150 m de altura, entre outros prédios que ocuparão extensos terrenos concentrados, principalmente, na Av. Francisco Bicalho, pavimentação que margeia o atual canal.
Não queria nem tocar nesse assunto, mas essa inconveniente tarefa de falar de dinheiro tornou-se inevitável diante dos resultados das pesquisas por mim realizadas aqui na grande rede. O financiamento de toda essa ""revitalização"" seguirá o mesmo modelo utilizado no sambódromo e na vila olímpica de 2016. Na passarela do samba carioca, a AMBEV pagará a conta da reforma, e em contrapartida, terá o direito de erguer um prediozinho comercial de 26 andares no local. Já no segundo caso – o da vila olímpica – a construtora Carvalho Hosken financiará (são tão bonzinhos né?) a construção de toda a vila e, depois de 2016, poderá negociá-la como empreendimento imobiliário. A desculpa da prefeitura para aproveitar esse "momento mágico" que a cidade vive, é que incentivando o investimento da iniciativa privada, o dinheiro público poderá ser canalizado para obras de infraestrutura (leia-se algum banco nas Ilhas Cayman).

Dentre as inúmeras vantagens apontadas pelos nossos governantes, não foi possível ler em nenhuma linha algo relacionado com a mitigação de problemas ambientais. Se existe essa preocupação, ela está guardada a 7 chaves.
 



 

sábado, janeiro 01, 2011

Lago Azul e engarrafado.

  
Após tanto tempo de inatividade, e aproveitando o gancho de um novo ano que se inicia, venho demonstrar minha preocupação sobre uma questão que envolve diretamente a substância essencial à vida: a Água.

Os temores (meu e de milhões de outras pessoas) de que a água se tornasse uma commodity (mercadoria em estado bruto, produzidas em grande quantidade, por diferentes produtores, possuindo cotação e 'negociabilidae' nas bolsas de mercadorias) estão se confirmando. Um polêmico projeto de exportação de água que tem como fonte de 'matéria-prima' o Blue Lake, um lago localizado na cidade de Sitka, Alasca (EUA), com águas tão puras que sequer precisam ser tratadas para serem bebidas, pode estar representando o ponta pé nicial de uma modalidade de negócio que vai totalmente contra os príncipios de sustentabilidade.

Duas empresas pretendem tirar do 'Lago Azul', nos próximos meses, cerca de 320 milhões de litros de água, que serão transportados de navio até uma fábrica na Índia, onde a água será engarrafada e vendida para o mercado local (os rios da Índia estão criticamente poluídos) e também a países do Oriente Médio, locais que naturalmente sofrem com a escassez desse imprescindível recurso.

Uma das empresas, a True Alaska Bottling, comprou o direito de explorar 10.9 bilhões de litros de água por ano, o que pode gerar para os cofres da pequena cidade de Sitka (de apenas 10 mil habitantes) até U$ 90 bilhões (=R$ 149,4 bilhões) por ano, dependendo das vendas.

Já a outra empresa, a S2C Global Systems, ficou responsável pela construção de um mega porto na costa sul da Índia, onde a água será recebida, armazenada, engarrafada e distribuída.

Não quero colocar aqui aquela já batida porcentagem de disponibilidade de água doce no planeta, mas fica a pergunta: quando vamos entender que a água não é um recurso infinito?

quinta-feira, julho 22, 2010

Já era tempo...

Foram precisos exatos 3 meses para que a British Petroleum conseguisse 'estancar' o vazamento de óleo que, de sobra, é o causador do maior desastre ambiental da história dos EUA. Fazendo uma simples conta de multiplicar, talvez não consigamos ainda ter a verdadeira noção da grandeza dessa 'mancha' de óleo.

Como havia falado antes (Um horizonte preocupante...), o óleo vazava a uma taxa de 795.000 litros/dia. Multiplicando 795 mil litros por 91 dias encontramos 72.354.000 litros de óleo cru espalhado pelo mar, tanto na superfície, quanto ao longo da coluna d'água.

A equipe de contenção, que conta com cerca de 40.000 pessoas e mais de 5.000 embarcações, conseguiu recolher, ou queimar 'controladamente', parte desse óleo, mas a imensa maioria dele ainda está no Golfo do México ou já atingiu a costa.

A empresa britânica já demonstrou por diversas vezes que prefere pagar pelos erros do que tomar medidas para evitá-los. As multas aplicadas pelas autoridades norte-americanas, nos último 5 anos, chegam a cifra de US$ 485 milhões, quantia que mais parece 'trocadinho' perto dos US$ 5,65 bilhões de lucro conseguido somente no 1º trimestre de 2010.

A preocupação se manisfesta quando transporto esse cenário catastrófico para águas tupiniquins, uma plataforma continental repleta de enormes quantidades do "Ouro Negro", na iminência de uma exploração em grandes profundidades (Pré-Sal). 

Será que estamos preparados para uma tragédia desse tipo? Será que a nossa legislação ambiental está bem amarrada em relação à possíveis vazamentos dessa magniutude? Mesmo em caso positivo, será que as autoridades serão capazes de fiscalizar tais explorações? Será que teremos um plano de contingência eficaz para um acidente nessas proporções?

Para ajudar na reflexão, fica aqui mais algumas imagens
















quarta-feira, julho 14, 2010

MÚSICA REGGAE

Desde a criação deste Blog tenho uma enorme vontade, porém uma pequena dúvida se devo ou não escrever sobre uma assunto que em alguns momentos me parece não ser tão natural. Entretanto, após algumas reflexões, fica fácil perceber que o REGGAE é um ritmo intimamente ligado à Natureza, e consequentemente um assunto natural sim.

As ligações entre o REGGAE e o movimento religioso, filosófico e político RASTAFARIANISMO são profundas, amplas e complexas. Ambas representam uns dos mais notáveis esforços humanos de reconstrução  - a reconstrução da dignidade, do destino e da cultura de um povo.

No final dos anos 60, com uma nova geração de músicos tentando novas maneiras de tentar tocar o ROCK STEADY, fortemente induzida pelos cânticos rastafári - que ostentam a influência africana, com repetição ritmica, imitando as batidas do coração (Nyahbing) - ou assumidamente ligada ao movimento como pressão social em alta voltagem, nas ruas, nasce enfim o REGGAE. A música dos reis como acreditava o seu grande ícone Bob Marley. 

Nascido sobre o signo de aquário, no dia 6 de fevereiro de 1945, no vilarejo de Nine Miles, em St. Ann, norte da Jamaica, Robert Nesta Marley, era filho de Norval Sinclair Marley, um branco capitão do exército inglês (daí os traços finos de sua fisionomia), que o abandonou logo após o casamento com sua mãe, Cedella Booker, uma negra descendente de escravos africanos, enviados a ilha Xamaycana em 1509. De um lado a nobreza africana, de outro, o poder imperialista britânico.

Em homenagem e em agradecimento pelas humildes 1000 visitas, deixo aqui uma simples demonstração da ligação do reggae com questões relacionadas à natureza, com uma canção onde Marley fala sobre aquilo que não conseguimos explicar... a Mística Natural.

terça-feira, junho 22, 2010

900

Em tempos de Copa do Mundo, agradecendo as surpreendentes 900 visitas, deixo aqui uma sugestão de filme. Indo.doc é um documentário que consegue mostrar de uma forma extremamente real, com excelentes imagens, narrações e edições, as drásticas consequências do tsunami e do terremoto que assolaram a costa da Indonésia no final de 2004.

segunda-feira, maio 10, 2010

Um horizonte preocupante...

Sinto-me na obrigação de vir aqui pra falar de um assunto que considero (e na minha visão, todos deveriam considerar) de extrema relevância: o vazamento de óleo no Golfo do México (EUA).

Gostaria de não entrar muito no mérito das soluções e alternativas energéticas (ainda), e sim tentar informar sobre o acidente em si, e explanar a minha perspectiva oceanográfica sobre o que pode ser considerado um dos maiores desastres ambientais da história (talvez o maior).

O acidente, ocorrido no dia 20 Abr 2010, aconteceu numa plataforma semisubmersível de perfuração (Deepwater Horizon) que operava em um campo de exploração da gigante empresa inglesa British Petroleum (BP), localizado no Golfo do México, a cerca de 90 Km da foz do Rio Mississipi (a 3ª maior bacia hidrográfica do mundo), no estado da Louisiana

Segundo relatos, o incêncdio ocorreu devido a uma gigante bolha de gás metano (altamente inflamável), que ascendeu pelo duto de perfuração, seguida por uma enxurrada de óleo bruto sob altíssima tempertaura, ocasionando uma explosão na superfície e o afundamento da plataforma (que naquela data comemorava 07 anos sem qualquer acidente), depois de 02 dias de um torrencial incêncdio, que matou 11 pessoas, e deixou um poço aberto, jorrando óleo no oceano com uma vazão estimada em 795.000 litros/dia.

Essa região (delta do Mississipi), que já havia sido profundamente afetada pelos furacões Katrina e Rita no ano de 2005, tem 12.000 km2 de extensão e comporta 40% dos maguezais de todo o país (EUA). Acho que não precisa ser um estudioso de alguma ciência ambiental pra saber que uma quantidade colossal dessa de óleo (até o fechamento desse post, dia 10 Mai, o óleo ainda continua vazando), avançando ao encontro de uma área tão grande e tão sensível (manguezais são considerados, de acordo com uma classificação internacional de sensibilidade ambiental, como os ecossistemas mais sensíveis a um possível derrame de óleo), acarretará drásticas consequências, tanto a curto, quanto a longo prazo, afetando contundentemente toda a fauna e flora do local, e de tabela, a indústria da pesca (a região fornece 16% de todo o pescado dos EUA) e do turismo.

A companhia britânica (BP) assumiu a responsabilidade pelo desastre (é o mínimo, né?) e está trabalhando tanto na  árdua tarefa de 'estancar' o vazamento, quanto na de tentar conter o óleo já despejado no mar.

Para tentar cessar (na verdade diminuir em 85%) o vazamento do poço, que está sob 1.600m de coluna d'água, a empresa utilizou uma enorme cúpula de confinamento, funcionando como uma 'tampa' para auxiliar a sucção do óleo, que seria transportado até a superfície através de um duto. Todavia, a formação de cristais de gelo (hidrato de metano), nas paredes da tubulação, que acabam por obstruir a passagem do óleo, estão impossibilitando um trabalho que por si só já extremamente difícil, devido a profundidade do local. Enquanto isso, a empresa está trbalhando na perfuração de dois poços de 'alívio' bem perto do vazamento, que será uma solução mais eficiente, porém mais demorada.

Por outro lado, já foram utilizados 270 mil metros de barreiras de contenção, bem como 1,1 milhão de litros de dispersante químico para tentar solucionar o problema do óleo já derramado. Uma outra técnica também utilizada (e que não me agrada muito) foi a queima 'controlada' do óleo, que, ainda bem, oficou prejudicada pelo vento forte e a consequente agitação do mar. Estima-se que 2 milhões de litros de óleo tenham sido 'eliminados' utilizando esta técnica.



Segue aqui algumas imagens...










 

 
 
 

 
 
 

 
 
 




terça-feira, abril 27, 2010

A oceanografia do (des)cobrimento

Tudo começou em um 1º de Janeiro de 1502, quando três Naus lusitanas adentraram a Baía de Guanabara, impulsionados pela fase de frio intenso e enormes nevascas que assolavam a Europa e a Ásia, desvendando  assim a imagem desse paraíso tropical para o mundo. Naquele longíquo verão, as águas da Guanabara foram palco de um choque de dois mundos, de duas concepções de vida, de dois universos distintos. Dentro das enormes embarcações impulsionadas pelo vento, portugueses, agentes do mercantilismo europeu, preocupados em conquistar novas terras e mercados para a produção de mercadorias com valor de troca. Já nas frágeis canoas e ubás, movidas a braços fortes, estavam os nativos desse paraíso, organizados num sistema primitivo de socialismo, totalmente despreocupados com a acumulação de bens e riquezas, retirando da Natureza apenas o necessário para o sustento.

A Natureza era pródiga, bela, exuberante, majestosa. O mar colidia com os pontões e costões que emolduram a Guanabara. Os manguezais se estendiam por quase todo o litoral. Dezenas de lagunas e brejos alinhavam-se atrás das restingas. tangenciadas por praias de areia extremamente claras. Pitangueiras, cajueiros, orquídeas e cactos enfeitavam as dunas e restingas. 

Este cenário paradisíaco, tanto decantantado em prosa e verso, não durou muito tempo. Primeiro, veio a devastação do pau-brasil, posteriormente as preocupações de cupação e defesa, que resultaram inclusive na fundação de nossa Cidade Maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro, continuando com os ciclos econômicos da cana-de-açúcar, mineração, café e finalmente a industrialização, a região foi sendo ocupada, e a mata sucumbindo.

O sítio geograficamente impróprio para acolher uma ocupação permanetemente - e que tinha  inicialmente a função defensiva-, passa a ser uma cidade portuária e comercial. Esta, para crescer, soterrrou estuários, enseadas, lagunas, brejos, manguezais (qualquer ligação com os bairros mais afetados pelas nossas atuais enchentes não é mera coincidência, não, tá?), e ainda arrasou morros e ilhas.

As manadas de baleias, entre jubartes, cachalotes e espardates, que tanto adentravam as águas da Guanabara (vide pintura abaixo, por Leandro Joaquim, 1780), foram impiedosamente caçadas, em larga escala, fazendo com que este cetáceo tão abundante desaparecesse da Baía.

Dessa atividade predatória resultou inclusive o nome de um dos lugares atualmente mais visitados por turistas no RJ. A Ponta do Arpoador, tinha a função de observatório da chegada das manadas de baleia, onde, muitas das vezes eram arpoadas dali mesmo. Arpoadas e levadas para a Ponta da Armação (Niterói) eram esquartejadas a machado, e delas se extraiam a carne para a alimentação, o óleo para a iluminação da cidade e a borra, chamada também de galagala, que misturada com a cal do reino (concha moída), formava um excelente cimento, muito utilizado nas construções da época.

O governo português monopolizou a caça até meados do sec XVII, entregando-a depois a particulares, por meio de contrato de armação O mais célebre dos armadores foi um Sr. chamado Brás de Pina, que enriqueceu tanto, às custas do extermínio de baleias, que pode adquirir vastas terras na região onde hoje existe um bairro que ostenta seu nome.

Segundo o Prof. Elmo Amador, a Baía de Guanabara é emblemática, uma genuína representante dos frágeis e reprodutivos ecossistemas costeiros tropicias, que resultantes de uma longa evolução, foram submetidos à uma rápida degradação ambiental e social. A Ganabara representa o personagem principal de uma história que permite o julgamento do desatre da colonização e da dominação capitalista dos países do Terceiro Mundo, com a subjugação dos seus habitantes e a destruição de sua natureza.



segunda-feira, março 01, 2010

445 anos de Maravilha !

Não podia passar em branco o aniversário da Cidade Maravilhosa.

Hoje, 1º  de março de 2010, a cidade do Rio de Janeiro - originalmente fundada por Estácio de Sá, com o nome de São Sebastião - comemora 445 anos de fundação.

Fica aqui a homenagem do Blog, através da foto (acima) do Morro Cara de Cão (proeminência adjacente ao Pão de Açúcar), sítio original da cidade, onde foram edificadas as primeiras instalações, com o intuito de funcionar como trincheira contra os ataques dos índios tamoios, então aliados dos franceses.
 
"Para que El Rei, a Pátria, o Brasil e o Mundo todo conheçam o nosso destemido valor, levantamos essa cidade que ficará por memória do nosso heroísmo, e exemplo as vidouras gerações, para ser a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo". (Anchieta, 1565)

Foto: Gustavo Bastos

sábado, janeiro 23, 2010

Consumo de nadadeiras


Voltemos a esse grave e silencioso problema ecológico: a ameaça aos tubarões ...
Segundo uma pesquisa de âmbito nacional, encomendada pelo Instituto Ecológico "Comercial" Aqualung, 37% dos 1.400 entrevistados disseram que consomem carne de tubarão (na maioria das vezes Cação). Destes, 58% fazem esse consumo em casa (19% mensalmente e 58 % eventualmente). Somente 17% dos entrevistados afirmaram já ter consumido nadadeira (e não barbatana, como esse tal instituto de finalidade duvidosa insiste em denominar) de tubarão. 
Entretanto, a pesquisa apontou uma enorme diferença regional: enquanto todos os entrevistados cariocas afirmaram NUNCA terem comido nadadeira e seus derivados (principalmente a sopa), 68% dos entrevistados paulistas afirmaram que já comeram.
Uma possível explicação para tal diferença é a influência exercida pela população oriental em SP, uma vez que são eles os grandes consumidores da maldita sopa de nadadeira, induzidos pelo mito de que é um prato afrodisíaco.
Um outro dado de extrema importância mostrado pela pesquisa foi que 57% (mais da metade) dos entrevistados não sabia que a pesca descontrolada e excessiva está proporcionando um vertiginoso declínio nas populações de tubarões em todo o mundo (só aqui no litoral brasileiro, 43% das espécies estão inclusas na lista das ameaçadas de extinção). 
Previsivelmente, mais de 60% dos entrevistados não soube dizer qual é a importância dos tubarões para o equilíbrio da vida nos oceanos e quais seriam as consequências diretas de sua extinção. No entanto, felizmente, 80% dos entrevistados, diante da realidade apresentada, admitiram rever seus conceitos e seu consumo de cação.
Então, mesmo que você não tenha sido entrevistado (o que é muito provável), reveja os seus !